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Cristina, 26 anos, Belo Horizonte, jornalista. Fala, lê, escreve e xinga em italiano, disfarça no francês e ainda apenas estuda inglês. Ama o jornalismo, mesmo que esse amor tenha como consequência a pobreza permanente. Adora internet, música, fotografia, cinema e literatura. Preguiçosa. Tem medo de aves como galinha, ganso e pavão. Ama a natureza, não joga papel no chão, vive sorrindo, se derrete à toa. Não se recusa a dançar um bom forrozinho.
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Segunda-feira, Junho 22, 2009
O cheiro de absinto no corredor. o passaro que canta sempre a mesma cançao sem jamais diversificar, o nascer preguiçoso de um sabado cinza la fora. A mesma atitude habitual de nao saber sustentar as proprias mentiras. A maquiagem escorrida no espelho, o olhar alegre e ainda cansado, a melodia que nao para de se repetir em minha mente. As semanas se passam assim, sem aprender com os erros, sem tempo para refletir, sem espaço para me desenvolver, produzir, raciocinar, enxergar, absosrver.
Quinta-feira, Junho 04, 2009
Não sei sentir-me onde estou.
Fernando Pessoa
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009
Para o tempo
Não era esse o final para a minha historia. Sonhei que não havia acontecido, acordei e era real. A febre, a dor, o sentimento engasgado, o choro abafado. A alucinação incessante, o escape que não possuo. A tentativa de me apoiar ao momento, às coisas que não são minhas, à vida que não reconheço, às pessoas que não admiro. A dor veio mesmo para ficar, bater, doer, latejar. A surpresa que me acomete com a calma que não me é suficiente. A pressa pela definição, o ciúme pelo não dito.
Ficam os cães sem dono, o registrar do tempo, a incerteza do futuro, a ausência sofrida, a casa vazia, o projeto no papel, a garganta inflamada, a neve a cair, o dia cinza là fora, a chuva a molhar, a descompasso no caminhar. Fico eu a olhar o seu passar.
Segunda-feira, Novembro 24, 2008
Abra-te, mundo!
Eu não sei o que você andou fumando para dizer que precisa me ver nua logo agora. Mas entendo o seu desespero a ponto de tomar coragem para tanto. Eu estive todo esse tempo presa em uma gaiola de onde não podia mais enxergar o mundo, até que um dia ele caiu sobre a minha cabeça. Com o abalo, a catarata se rompeu e, pude então, me dar conta de tudo o que perdi.
Eu sei, não há mais tempo para palavras. O seu interesse já se foi e a atmosfera de novidade se evaporou. Pergunto-me o que restou e já não sei mais o que pensar. Sinceramente, eu nunca soube onde toda essa história iria dar. Nos vejo distantes e não sei o que esperar. De todos os amores, romances, mistérios que tenho você é o que mais gosto de imaginar. E já me é suficiente.
[Imagem: Ag.: Norma Jean Lisboa - Dir. Arte: Jorge Godinho - Cliente: BMW
em: http://www.platinumfmd.com.br/portfolio/ilustra/pages/Gaiola.html]
Sábado, Setembro 13, 2008
Na agenda
Eu não sei bem o quê me fez sentir saudades suas, mas os dias frios trouxeram ao céu o tom de vermelho que têm as suas fotos. E toda a gente fútil que me rodeia me permitiu deixar o pensamento viajar por terras suas. Eu não sei por que as pessoas falam tanto se ninguém sabe ouvir...
Eu quis estar longe daqui e senti falta de suas palavras. Vai entender por que a vida fez a gente se encontrar. E o que era pra ser esquecido volta ainda mais forte. Calei-me para ouvir os pássaros que cantam pela manhã em minha janela e não quis mais gastar saliva inutilmente. Desisti de implorar por aquilo que não virá e ganhei energia para lutar. E já que não vou mudar ninguém, melhor fazer tudo aquilo que gosto e não exigir tanto que as coisas saiam perfeitas. Voltei a ocupar o meu primeiro lugar, estudei a solidão que reina na multidão e ganhei o conhecimento que só a mágoa traz.
Segunda-feira, Setembro 08, 2008
Tudo bem
Eu não quero saber onde você está, a que horas volta e no que está pensando. Eu não quero seguir os seus passos e me tornar escrava desse sentimento. Eu só me interesso em ser fiel a mim mesma e o que vier depois é conseqüência de uma história trilhada com honestidade e respeito.
Eu não vou cobrar que você esteja comigo em todos os momentos, mas eu vou tornar todos os momentos que estivermos juntos os melhores. Eu não vou insistir para que venha, não vou me importar em lhe dividir com o mundo, nem me preocupar com o que possa acontecer. Eu vou sentir você o quanto puder e, se tiver que ir embora, tudo bem.
Dispenso o relatório do seu dia, problemas, afazeres, contas, trabalhos, intrigas, trânsito, colegas, chefes e fila de banco. Pouco me importa o trivial. Quero saber apenas que pensa em mim quando a luz do dia diminui e o céu muda de cor. Quero saber se o sorvete de flocos o fez pensar em mim, o cachorro na praça, a água do mar, o chuveiro queimado, a escada no muro, a porta do teatro ou a poltrona desconfortável do cinema mais charmoso da cidade. Tudo bem se você tiver que ir agora fazer outras pessoas felizes, eu não vou inventar nada para que fique mais um pouco, apenas volte quando quiser.
Quarta-feira, Julho 02, 2008
‘Fé’ significa não querer saber o que é a verdade.
Friedrich Nietzsche
Terça-feira, Abril 29, 2008
"Dizem que o sucesso é fruto da combinação entre aparecer a oportunidade e estar preparado para ela (...) para quem não se prepara, as boas oportunidades são inúteis. E se faltar a oportunidade, a preparação será proveitosa para outros fins inesperados.
Estar de olhos abertos para a vida é sempre mais promissor do que “deixar o barco correr”. Nem tudo que parece sorte ou acaso é assim mesmo. A vida não costuma correr atrás de quem não está atento para ler e aceitar os desafios do momento. Estejamos sempre preparados. Quem espera se prepara!
Nunca se sabe, ao acordar de manhã, que aventuras ou surpresas nos reserva aquele dia."
Pe. Busch
Sexta-feira, Janeiro 25, 2008
O trago embolado
Na garganta, o trago embolado, a fumaça engasgada, a passagem impedida. No pulmão, toda a poluição, todas as dores concentradas em um único órgão, toda essa sujeira que permanece no corpo cansado. A punição latente como a única alternativa viável, a falta de fôlego para acender mais uma vez.
A imundice alheia me impregnou, me arrancou a vontade de estar entre eles, de ser um deles... Enoja-me saber a maneira como tudo se dá e recuso-me a vender-me por tão pouco. Despeço-me sem pesar em deixá-los, reconheço o que há de melhor para mim longe de todos e priorizo o meu bem-estar a longo prazo, ciente de que posso contar apenas com o meu próprio corpo. Cansado, mas ainda vivo.
A obsessão pela verdade prolonga o sufocamento. Nada desce pela garganta desde as últimas descobertas. As escolhas tomadas desde então contribuem com a asfixia. Podo-me para crescer, escondo-me para desenvolver e sufoco-me para sobreviver: me calo, me corto, me jogo e me isolo. Tudo para mover-me arrastando junto o universo. Busco a droga ideal para me devolver o ânimo, a força, o chão. O ácido que irá trazer a minha cura, devolver-me à verdade e empurrar-me à realidade. A substância perfeita para pôr fim à minha asfixia, fazer descer o meu alimento e estancar o meu sangramento.
Fuga ou enfrentamento, tanto faz. O caminho é sempre o mesmo até a luz que me cega para o fim. A curiosidade é o que me leva adiante como se arrastasse o meu corpo que ainda necessita de vida. O ar me é devolvido sem saber ainda por qual razão não me foi tirado.
Terça-feira, Janeiro 15, 2008
Eu também cansei
Eu poderia passar horas lhe contando histórias sobre a vida daquelas pessoas. Escutei muito do que tinham a dizer e presenciei o suficiente para tirar minhas próprias conclusões a respeito do trabalho que realizam e do que almejam em cada lugar por onde passam. Mas você acredita realmente que não há interesse por trás do que fazem? Você acha mesmo que aquela mulher faz tanto por aqueles homens por acreditar na salvação de suas pobres almas e não por vaidade ou necessidade de demonstrar a superioridade em dominar o gênero que, por gerações, foi o dominante?
Ali nada é tão puro quanto parece. Você acha que não há necessidade de ser admirada, respeitada e, principalmente, reconhecida? E para os que não reconhecem é dedicado todo o calor da fúria de um mesmo coração que produz discursos de paz, solidariedade e igualdade.
Chega de clamar por igualdade! Não vê que não somos iguais? Não me impressiono mais com mobilizações que mascaram os mais repugnantes interesses. Estou farta de atitudes a que todos dizem acreditar na pureza da intenção. Sei que a culpa exarcebada por ter metido a mão no que é dos outros e ter pisado na cabeça de pessoas corretas faz com que se criem trabalhos aparentemente dignos dos mais respeitosos prêmios e menções honrosas, mas a mim não enganam mais! Sei bem onde querem chegar desde que começaram e o meu corpo fica gelado só de pensar até onde são capazes de ir para se construir boa reputação em um mundo onde a imagem vale mais do que a dignidade.
Terça-feira, Janeiro 08, 2008
Já vai tarde
Eu tenho evitado falar com as pessoas que gosto pois, ultimamente, tenho acreditado em um certo poder de contaminá-las com meu dedo podre. Aquele capaz de petrificar tudo o que toca. Eu não tenho podido manifestar minhas vontades, pois tudo que almejo trata logo de fugir de mim. E me impressiona a quantidade de seres mal intencionados que me rodeiam.
Eu tenho evitado falar com as pessoas porque elas sempre acham que podem levar vantagem sobre mim e eu não sei se o mundo é cruel ou eu que sou uma completa idiota. Eu fiquei com preguiça de pessoas que discursam sobre honestidade, amizade e sinceridade e na hora de agir fazem exatamente o contrário do que dizem. Seus comportamentos variam de acordo com o que precisam que eu faça a elas. Coleciono então trabalhos não recebidos, falsas amizades, trapaças armadas pelas minhas costas e a solidão que amarga a boca quando o mundo é ácido demais. Mas essa solidão se torna extremamente bem-vinda quando representa a verdade de não manter próximo a mim relações baseadas em interesses e convenções.
2007 deixou um saldo que permanece entalado na garganta, difícil de absorver. No ano novo tentei me esvaziar de tudo, esquecer os acontecimentos, a minha raiva da vida e todas as pessoas que tentaram me passar a perna. Procurei não pensar em nada na hora da virada para não trazer o rancor de 2007 para o ano novo. Entrei o ano sem lista de desejos (mesmo porque os desejos do ano passado ainda nem se realizaram), sem grandes expectativas. As pessoas mais conformadas são as que menos sofrem, não é mesmo? E eu estou cansada do ciclo de sofrimento que se instalou em minha vida. Cansada das pessoas que agem como amigas apenas quando lhes convêm. Que sumam todas, foda-se! Eu não preciso delas.
Mas, esse pensamento rasteiro não tarda em me deixar, as idéias e vontades começam a surgir. Desejo de novas vivências, novos textos, novos trabalhos e novas viagens. Mesmo apesar do receio de que puxem novamente o meu tapete, não dá pra parar. Mas dessa vez, prometo apenas depositar menos expectativa em futuras empreitadas e em atitudes não retribuídas. Esperar menos gera menos frustração quando não se pode contar com ninguém.
Quarta-feira, Dezembro 12, 2007
Meus demônios
Demônios bons são aqueles que estão soltos. Eis então à sua frente todos os meus defeitos, todas as minhas fraquezas e inseguranças. Eu não queria demonstrá-los, nem me revelar a você, mas me parece impossível viver escondida em mim. É como se eu me privasse de ter o mundo lá fora e me contentasse, em comum acordo, em ser a sua mais obediente prisioneira. Confundindo a minha imagem com a sua, não sabendo mais quais desejos e aspirações pertencem a mim e quais deles são seus.
Pequenos deslizes ganham agora proporções gigantescas e parecem determinantes. Só consigo enxergar os meus erros frente a uma enorme lupa que me assusta. Já não sei se nosso sentimento sobreviveu a todo comodismo, tédio e previsões. Já não sei como ser eu mesma desvinculada de você. Perdi o rumo e a noção do espaço que meu corpo ocupa no universo. Enquanto satisfaço todas as suas vontades como se fossem minhas, vejo que não é capaz de sonhar os meus sonhos e me acompanhar. Preciso novamente da solidão para me mostrar a hora certa de parar.
Segunda-feira, Novembro 26, 2007
Fico
Fico eu com todos os seus segredos, medos e anseios.
Fico eu sem seu olhar, seu amor, seu calor.
Fico eu a esperar, a sonhar, a desejar sua volta, seu carinho, seu amor.
Fica você com esse vazio, esse frio, esse martírio.
Quinta-feira, Novembro 08, 2007
O fio partido
O fio partido não pode ser restituído do ponto onde houve a ruptura. Fica sempre a emenda marcando o que foi perdido. Não há possibilidades de se recuperar esse pedaço ou de continuar sem sentir sua falta. É preciso ter cuidado antes de rompê-lo, pois depois ficará somente a impossibilidade do inteiro.
Quinta-feira, Outubro 18, 2007
Vamo que vamo!
Eu não sei em que momento da minha vida eu me tornei tão impaciente, mas é como se cada detalhe de tudo que me aconteceu me dissesse a todo segundo que eu não tenho tempo a perder com aquilo que não me satisfaz. Vejo-me agora comprometida com tudo aquilo que é feito de minhas vontades e de meus sonhos. E não me venha falar em estabilidade financeira e sacrifícios para se lograr bons resultados, pois eu quero pular todas essas etapas e ir direto à realização de meus objetivos. Não tenho tempo a perder com aquilo que não me traz garantias ou resultados imediatos. E enquanto todos seguem o mesmo caminho, eu corro na direção contrária.
Domingo, Agosto 26, 2007
Das coisas que você enxergou em mim
Eu queria não ter sido tocada por tudo isso que você diz, mas a minha vontade é em vão. Eu sigo seus chamados. Eu fico perdida nos seus passos. Eu me acho nos seus espaços. Eu abro a geladeira e você está lá. Nas fotos, o seu sorriso. Na memória, o seu jeito de falar. Nos escritos, a poesia do meu olhar. Eu percebi que o fato de não lhe escrever não lhe afasta dos meus pensamentos. Descobri que o que você despertou em mim não se abafa tão fácil e é inútil tentar não enxergar o seu sorriso, lembrar sua voz, sentir seu toque.
Eu vejo o seu rosto em todos os corpos. Eu lhe vejo pela cidade que não é sua. O que não vivemos ganha cores, movimentos, enredo e trilha sonora. Ganha vida própria e essa vida não tem limites. Passo horas em uma realidade que nunca existiu, sinto falta do que não vivemos juntos e vontade de viver o que não nos foi permitido. Eu quero lhe escrever, mas não sei o que dizer. Eu quero lhe ver, mas não tenho um porquê. Eu quero mudar minha vida e estar junto a você por pequenos momentos que tragam algum sentido a esse querer.
Que se dane a paz e a tranqüilidade que você tanto insiste em me devolver. Eu gosto mesmo é do turbilhão que você trouxe à minha vida em questionamentos e dúvidas sobre tudo aquilo que sempre foi tão certo pra mim, que me fizeram enxergar o mundo que nunca vi e a ter vontades que nunca me permiti. Eu já me apeguei e não consigo ser indiferente à sua busca. Eu não consigo mais dormir, eu penso em todas as possibilidades, eu penso no futuro e em um passado diferente do que foi. Eu lhe busco e me encontro.
Quero mesmo é que você volte e desfaça o que já arrumei e me cobre atitudes adultas como encarar os fatos de frente e respeitar os meus desejos. Quero que me diga quando vem e que não aceita não me rever. E não haverá Pessoa, Almodóvar ou Neruda que sacie o que ainda temos a viver.
Quero a permissão para reencontrar a sua risada, ouvir sua voz e rever seus olhos sobre mim enxergando tudo aquilo que ninguém mais é capaz de ver. Quero o seu carinho, o seu beijo, o seu cheiro e quero mais ainda a sua visão de mundo. Eu quero acreditar que sou aquilo que você vê em mim e ser feliz assim. Mas tudo que me resta fazer é guardar o que sinto e esperar por um pretexto que me permita dizer aquilo que eu ainda não soube entender.
Quarta-feira, Agosto 01, 2007
O foco que eu não tenho
Meu mundinho é pequeno e ao mesmo tempo infinito. Levo dias para criar um layout, mas apenas alguns segundos para fazer um texto. Sou uma máquina que sente prazer em não parar de produzir. Mas não consigo falar nem metade do que redijo.
Sou tímida. Sou covarde. Sou arredia. Sou tarada por gramática, idiomas, cinema e fotografia. A internet é meu trabalho, meu vício e a fonte que me abre portas. Eu nunca me fecho para novas amizades, novas danças e novos lugares.
Tenho amigos que conhecem meus sonhos. Tenho mundos diferentes a cada vez que o relógio registra o passar do tempo. Tenho amores que não são da mesma espécie. E são muitos. Tenho milhões de histórias para contar e mais ainda para guardar. A minha lembrança é minha mais fiel companhia e minha imaginação, o meu melhor cartão de embarque. Eu estou em milhões de lugares ao mesmo tempo e você nem me viu sair.
Gosto de conversas, gosto de textos e adoro o silêncio. Troco o dia pela noite só para passar a madrugada sozinha comigo mesma. Me encontro e me perco em segundos. Sento para redigir um texto, faço cinco ou seis, mas me esqueço do que comecei... Perco o foco porque enxergo demais, sinto demais, observo demais. E falo cada vez menos. Minha fala, assim como as minhas fotos, não consegue ser fiel às minhas impressões. Então eu me calo. Então eu guardo a câmera. Então eu escrevo mais um pouco.
Terça-feira, Julho 10, 2007
Para cada tristeza, uma doença
Me irrita ser tão previsível. Para cada tristeza, uma doença. Para cada não, um sintoma. Para cada insônia, um remédio contra a dor. Eu o tomo mesmo sabendo que essa dor não vai passar. Mesmo sabendo que eu preciso deixar de ser tão covarde e medrosa e que, para isso, não há comprimido ou injeção capaz de fazer o que só pode ser feito por mim.
Eu tenho febre há três dias. Eu me limito, me escondo, podo as minhas raízes. Eu não quero sair do lugar que eu nunca quis estar. Eu sonho com novas possibilidades, mas não consigo ir buscá-las.
Eu tenho saudade dos meus amigos antes mesmo de tê-los deixado. Eu quero que a minha despedida aconteça todos os dias só para ser o centro das atenções. Eu faço charme, chantagem e pirraça só para que eles apareçam.
Você quer que eu lhe diga quem sou, mas eu só sei dizer o que eu quero ser. Eu quero fazer todas as coisas que gosto ao mesmo tempo. Eu não consigo me decidir frente a caminhos que finjo não existirem. Eu ignoro a sorte, ignoro as possibilidades e não tomo uma atitude simplesmente porque não tenho garantias. E, por mais que o presente seja medíocre, ao menos ele eu conheço bem.
Eu passo o dia dopada. Eu tomo mais remédios e ainda sinto dor. Eu sei o que devo fazer, mas morro de preguiça de sofrer. A vida me mostrou seu lado bom para que eu não me arriscasse mais em estradas perigosas, em aventuras infundadas e em noites bem dormidas.
Eu tenho alucinações, sonho que tudo mudou e se resolveu por si só. Eu não me sinto bem, durmo mais um pouco e acordo pior. Eu jogo no lixo as minhas vontades, eu deixo pra depois os meus desejos e me contento com o que vem até mim. Eu não quero mais gastar energias e mesmo estando em férias há meses, ainda assim me sinto cansada.
Eu penso em ter obrigações, chego a planejar uma rotina organizada e logo quero descansar novamente. Eu não consigo me enquadrar. O que todos fazem tão facilmente não chega a ser aceitável para mim. A minha inquietação não vai embora mesmo após ter experimentado todas as alternativas. Eu vou de um extremo ao outro e não consigo voltar. Eu sou compulsiva por trabalho, por simples prazeres e pelo ócio criativo, mas não suporto ser analisada. Ao mesmo tempo em que busco a visibilidade, quero que ninguém preste atenção no que faço. Eu enfeito a realidade para satisfazer a minha vaidade.
Eu lhe convido a me visitar, mas mudo de endereço antes de você chegar. Eu quero paz e agito em uma só atmosfera. Eu quero o tédio e o glamour. Eu quero o amor e o ódio. Eu sou brava, mas esqueço de me impor. Eu exagero no carinho, exagero na franqueza e exagero, principalmente, comigo mesma. Eu me ocupo para ter descanso de mim. A minha cabeça sofre a pressão que o meu corpo responde. Eu fico de cama só até quando decido me levantar e tudo mudar.
Sexta-feira, Junho 08, 2007
Minha vida tem um buraco que não sei de que é feito. Era para tudo ser muito fácil, mas eu encasquetei de fazer tudo do jeito mais difícil. Meu problema sou só eu. Não me odeie por eu ser assim. Eu tenho a culpa de todas as culpas e, as que não tenho, tomo para mim. Eu tenho crises de segunda à noite porque me dá um vazio de não me achar. Eu tenho crises de quarta porque me achei e não gostei. Tem quem me ache sublime por tão alegre e tão melancólica assim. Eu me acho insuportável. Ok, e ao mesmo tempo a pessoa mais legal do mundo.
Eu não gosto que me escolham caminhos e fico puta porque há um tempo tenho deixado a vida escolher. Eu tenho tudo e às vezes me sinto completamente sem nada só porque a chuva cai e o sol não brilha. E se brilha, tem o maldito tom de amarelo a que eu chamo de pureza. Que eu já não sei se sei distinguir.
Eu tenho medo de crescer e ao mesmo tempo cresci rápido demais. Eu me afobo e paro. Mas quando paro, fico afobada, porque acho que o tempo passou e eu não fui junto.
Porque você gosta de mim? Você me perguntou e se perguntou isso em um recado de voz. Eu não sei responder. Você gosta de mim por tudo o que eu sou e por tudo o que eu não sou. E eu sofro, porque não sei ser não sendo. Não ser é ser sem escolher. E eu gosto de escolher, lembra?
De verdade? Não sei porque te falo tudo isso. Acho que quero te convencer de uma vez que eu sou louca para poder agir feito uma sem o medo de de repente você descobrir que eu sou louca e de repente não gostar mais de mim. Ou quero te convencer que não existe porque gostar de mim. Só porque sou louca.
Você me pediu para escrever um poema para você. Mas para escrever poema, tem um lado meu que precisa de férias dos dedos ávidos por palavras que façam sentido sem beleza. Porque, afinal, às vezes eu acredito em beleza, às vezes não.
Sabe por que eu não me encontro? Porque por definição eu sou contraditória e quem é contraditória não pode se definir. Se não me defino, não sei quem sou, não me encontro. Mas se deixo de ser contraditória, deixo de ser eu e, logo, também não me encontro.
Me explica, porque você encanou de me encontrar?
(Myla Verzola)
Quinta-feira, Abril 26, 2007
Pela livre inspiração e verdade de fatos fictícios
Tudo na vida é uma questão de interpretação. Eu posso escrever aqui que sou uma pessoa de fácil convivência e você me achar puta. Eu posso dizer que sou alegre, de bem com a vida e bastante flexível e você me achar puta. Eu posso mencionar gostar de fazer amizades, conhecer novas pessoas e me apegar muito fácil aos outros e, certamente, você me achar puta.
Eu posso postar aqui textos sobre fim de relacionamentos e apostar que, as próximas pessoas que eu encontrar, irão me perguntar se estou bem após o término do namoro. Se eu escrever sobre traições, vão me achar corna (ou safada). Se eu resolver falar de conflitos familiares, logo irão julgar que as coisas em minha casa não vão nada bem...
A verdade é que meus textos são inspirados no que vivo, sinto, vejo, sei, leio e, principalmente, no que imagino. O meu blog não é um diário e nem se propõe a falar da minha vida. Portanto, aqui você não poderá acompanhar o que se passa nela.
Se realmente quer saber algo, telefone, escreva ou apareça em minha casa. Inicie uma conversa pessoalmente, mas não venha me fazer perguntas baseadas em impressões adquiridas na internet.
Muitas pessoas acham que vão encontrar aqui verdades absolutas sobre mim e que poderão me conhecer apenas lendo os meus textos, visitando o meu Fotolog e fuçando o meu Orkut. E é aí que está o maior engano. Existe uma pauleira danada lá fora a ser vivida, que nos exige muito mais do que textos desconexos, do que momentos expressos em fotos e recados e do que impressões possam representar em uma atmosfera tão fria quanto esta. O que quero dizer é que eu prefiro a vida real e acho que você também deveria experimentar!
Terça-feira, Março 20, 2007
A obrigação
É ela quem sempre vem passar as noites comigo e, por mais que eu insista em dizer que estou de férias, a maldita não me larga! Já se tornou parte de mim. Até a diversão já se parece com ela...
Eu preciso reaprender a quebrar as minhas próprias regras e até isso se torna mais um item para a minhas lista de afazeres. Eu preciso desligar-me do mundo, das cobranças e expectativas alheias. Livrar-me deste medo que paralisa e não me deixa arriscar. Voltar a fazer aquilo que realmente é importante para mim.
Caminho agora (ainda estranhando o trajeto) para assumir tudo aquilo que escolhi e tenho buscado construir. Ciente de que, mesmo que os outros não façam suas partes, eu estou fazendo a minha. E, mesmo que não acreditem, vou fazer com que dê certo.
Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007
Então tá, tchau!
Eu não me vejo na obrigação de suportar a má educação e a arrogância alheia apenas por uma questão de hierarquia organizacional. Pelo contrário, sempre enxerguei que as pessoas com mais credibilidade eram justamente as mais educadas e, portanto, mais merecedoras do meu respeito.
Eu sei que pedi muito um emprego, mas é essencial, para mim, conviver com pessoas agradáveis. Afinal, será com elas que irei passar cerca de dez horas do meu dia em uma rotina que, por sí só, já é desgastante o suficiente.
Nunca consegui entender porque algumas pessoas, e talvez a maioria delas, pensam que a autoridade está diretamente ligada à arrogância. Conviver com insultos, brigas, humilhações e pessoas que buscam levar vantagem em tudo, definitivamente, não é para mim.
Uma empresa com o clima tão carregado não faz com que empregado algum queira permanecer e não seria diferente comigo.
meligabeijotchau!
Sábado, Janeiro 27, 2007
Sorte
Talvez eu seja uma das poucas pessoas que possuam uma realidade melhor do que a própria fantasia. Fico surpresa a cada vez que descubro em minha vida a presença de desejos já realizados e, até mesmo, melhores ainda que a maneira que eu os havia sonhado.
Quem sabe um dia o meu pessimismo em relação às minhas vitórias finalmente se renda aos presentes que tenho recebido. Quem sabe eu me dê conta do quanto tenho sorte e aceite então a felicidade.
Por momentos chego a pensar que eu daria conta de relaxar por alguns instantes, respirar fundo e viver a minha vida sem ter em mente futuro e passado. Por vezes, até chego a imaginar provar o gosto de realidade tão boa.
Terça-feira, Novembro 28, 2006
Vida de estagiária
Acordou sem saber por que estava ali. Havia perdido o foco. O caminho que seguira era tão turbulento e tão desanimador que já não sabia mais se valeria a pena tentar. Garantia nunca tivera e a dúvida que surgia era sempre se haveria um bom resultado após tanta peregrinação.
Trabalhar tanto sem reconhecimento, sem garantias e, o que é pior, sem remuneração digna só podia ser um sonho maluco. Mas esse sonho já durava quatro anos e nunca acordara em uma realidade melhor. E talvez nem merecesse.
Fizeram-na acreditar na sua incompetência. Presenciou mil injustiças, viu chefes sem conhecimento, abusos de poder, negligência, falta de caráter e tudo isso em uma carga horária excessivamente desumana para quem ainda tem de estudar muito após um dia intenso de trabalho.
E era assim que se sentia: vivenciando uma realidade não-humana. Era um burro de carga, o cavalo que puxa a carroça e, em dias melhores, era apenas o peão da obra trabalhando de sol a sol.
Sem seu trabalho a empresa pára, as funções se deslocam, a falta de conhecimento alheia se evidencia. Mas será que isso não vale nada? Claro que não! No dia em que seu contrato acabar já haverá outro tão mal valorizado quanto, para lhe substituir.
ps: escrito antes de largar essa vida e arrumar um emprego =)
Terça-feira, Novembro 21, 2006
Você
Eu queria lhe escrever sobre todas as mudanças que ocorreram em minhas concepções desde que você entrou em minha vida. Eu queria que você tivesse noção do tanto que representa para mim e do tanto que eu mereço ter você ao meu lado. Mas eu só sei escrever sobre coisas tristes...
Eu poderia dizer que eu enxergo tudo mais colorido desde que consegui ver a sua visão de mundo, que eu listo coisas para fazer junto a você e que tudo que há de bom nessa vida, eu quero viver ao seu lado. Mas eu não consigo dizer nada disso sem chorar e você não gosta quando eu choro...
Eu tentaria lhe explicar que vou chorar a cada surpresa que você me fizer, a cada vez que eu tiver seu colo e a cada momento em que eu não esperar por uma declaração e você a fizer. Mas você vai dizer que eu choro demais (e você tem razão).
E se eu disser que estou aprendendo a ocupar o meu espaço, o meu corpo e a tomar conta da minha própria vida, você não vai entender nada. Mas o que importa é que estou aprendendo a ser cada dia melhor com você.
Eu não consigo lhe mostrar o tamanho do meu sentimento, das minhas expectativas e da minha insegurança. Mas eu posso lhe dar o meu carinho, a minha atenção e a minha compreensão de novo e tudo vai ficar bem como desde que a gente se conheceu, se gostou e se juntou.
Quarta-feira, Novembro 01, 2006
Chega!
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
Rompimento
Talvez o que me irrite tanto seja mesmo isso: saber da existência de uma pessoa que me conheça tão bem neste mundo; a idéia de que eu possa ser totalmente previsível na visão do outro e, por mais que eu tente disfarçar, os meus sentimentos estão ali expostos bem grandes em minha testa. Não há como fugir nem executar um plano de ações para alcançar o que quero. Mesmo porque, eu já nem sei mais o que queria quando cheguei até aqui...
É difícil pensar quando se está sob análise. Aquela velha tática de recuo, usada quando tudo está bem, não caberia agora. Algo mudou, mas muito mais ainda tem que mudar. Pois, a base de sustentação de minhas máscaras começa a ceder e ameaça me revelar. Descobrindo toda a neurose, ansiedade e aflições; minhas mais fiéis companheiras em toda essa trajetória.
Talvez essa seja a hora certa para a separação. Uma nova realidade se inclina como proposta de tudo aquilo que sempre desejei para mim. Um tempo em que esconder tanta coisa não seja mais preciso nem tampouco permitido. Se a aceitação virá complementar este caminho já não se faz tão importante agora. Eu só preciso de me livrar deste peso.
Domingo, Outubro 22, 2006
Eu não posso parar
Hoje eu só queria ir para onde os meus erros não existissem. Poder sair correndo sem que a minha ansiedade fosse capaz de me alcançar. Deixar para trás os meus problemas e preocupações. Eu só preciso ficar só. Longe desse turbilhão que não larga a minha mente.
Há muito não descanso, preocupada com o futuro, com o presente e com o passado. Pensando nas melhores ações para atingir meus objetivos. Pensando em cada palavra que digo, em cada medo que sinto.
Eu só preciso de segurança, estabilidade e perspectiva. E pra sempre. Mas, antes de tudo, eu preciso de férias.
Quinta-feira, Outubro 12, 2006
Mudança
Ele lhe desmentiu tudo aquilo em que há tempos acreditara. Ela não tirou conclusões. Preferiu sentir o alívio chegar e ficar. Não havia porquê se preocupar. Pensando com praticidade, nada mudaria sua realidade atual. Mas a mudança chegou sutilmente com aquelas palavras que traziam a oportunidade de uma nova visão do comportamento humano e de sua própria qualidade de vida. Nada pode ser generalizado e ninguém pode ser acusado antes mesmo de cometer um crime.
Finalmente sentiu que a sua postura precisava mudar. Seria mais flexível consigo mesma, menos exigente com os outros e notou que não precisaria levar a vida tão a sério. Seria como se os anos passados a tivessem deixado mais jovem. E agora nada mais a envelheceria como antes.
Deixou de lado as roupas sociais, os sapatos tão desconfortáveis e adotou as cores da estação. Mais do que o guarda-roupa, renovou o seu estado de espírito. Levou o cachorro pra passear, aventurou-se em novos programas e conversou com pessoas que jamais arriscara-se. Viu a vida mudar e mais que isso: se viu transformar-se frente à vida.
Sábado, Julho 22, 2006
Eu vivo correndo
Eu vivo correndo, ansiosa, preocupada. Vivo ligada em tudo à minha volta. Dou voltas, corro, mas não me acostumo. Vivo inquieta, buscando o que procuro.
Filhote de cachorro, abraço apertado, amizade sincera, sorriso de criança, surpresa de namorado, colo de mãe, declarações inesperadas, propaganda de margarina, poesia bem escrita, MPB, bicho de pelúcia, almoço em família.
A vida tem ouvido os meus pedidos e parece sempre adivinhar do que preciso.
Trabalhar com o que gosto, estudar o que amo, ver pessoas bonitas, conhecer gente inteligente, ler um bom livro, assistir a um bom filme, estar com quem amo, fazer o que tenho vontade, conquistar o que quero, chorar se preciso, amar e ser amada, dançar sem me preocupar, viajar, aulas de idioma, chocolate ao leite, ter um dia agitado e tranqüilo, estar em paz, dar conta de tudo.
E tudo não tem sido pouco!
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